segunda-feira, 29 de outubro de 2012

A INCÔMODA VERDADE DO GRANDE JULGAMENTO



Por Alan Capriles

Desconfio que a passagem conhecida como "O Grande Julgamento das Nações" seja o texto menos pregado dos púlpitos evangélicos. Não estou me referindo ao relato do grande trono branco, que se encontra no livro do Apocalipse, pois esse é lembrado por muitos pregadores. Refiro-me ao texto do evangelho segundo Mateus, capítulo 25, no qual Jesus declara que "todas as nações serão reunidas em sua presença, e ele separará uns dos outros, como o pastor separa os cabritos da ovelhas." (Mt 25:32)

Suponho que a razão para que esse texto não seja pregado é sua desconcertante simplicidade. Nele, a salvação se descortina de uma forma totalmente livre de doutrinas teológicas. Para Jesus, os benditos do Pai não são necessariamente os religiosos, mas aqueles que deram comida ao faminto, água ao sedento, que hospedaram o forasteiro, que vestiram aquele que estava nu, que visitaram o enfermo e também o encarcerado. Esses, que praticaram o amor ao invés de tê-lo somente em palavras, são os que, surpresos, ouvirão do Rei naquele grande dia: "Foi a mim que fizestes." (Mt 25:40) No entanto, aqueles que se esquivaram de amar o próximo, ouvirão exatamente o contrário: "A mim deixastes de fazer". E por isso estes "irão para o castigo eterno, porém os justos, para a vida eterna." (Mt 25:46)

Para não dizer que nunca ouvi alguém pregar com base nesse texto, lembro-me de um pastor que tive, quando eu ainda era recém convertido. Não tenho boa memória, especialmente para mensagens que foram pregadas há mais de vinte anos, mas essa me marcou profundamente, não por ser uma bela pregação, mas pelo absurdo que foi dito. O pastor simplesmente "espiritualizou" o texto, dizendo que a fome não seria de comida, mas da palavra de Deus, que a sede não seria de água, mas do Espírito Santo, e assim por diante... Aquilo foi um choque pra mim. Especialmente porque eu mesmo havia lido aquele texto publicamente, poucos dias antes, num passeio que fiz com a juventude daquela igreja. Estávamos na Quinta da Boa Vista e o líder de jovens deu oportunidade para quem quisesse dizer alguma coisa, que podia ser um testemunho, ou a leitura de um texto. Sentindo meu jovem coração bater forte, e após já não conseguir mais resistir, levantei-me, com minha bíblia aberta no texto de Mateus 25:31-46. Não me lembro bem do que eu disse após a leitura, mas recordo que eu sentia um fogo arder dentro de mim. Essa era a primeira vez que eu pregava, ainda que tenha sido por poucos minutos. Duas senhoras, que passeavam pelo parque, se aproximaram para ouvir o que eu estava dizendo e me abordaram após a breve pregação. Elas sorriram e se limitaram a dizer: "Continue assim". Quando lhes perguntei de qual igreja eram, a resposta me surpreendeu: "Somos católicas, mas continue assim; não pregue religião, pregue o que Jesus ensinou." Aquilo me marcou profundamente. Talvez tenha sido a primeira vez em que desconfiei haver uma distinção entre o ensino do cristianismo e o ensino de Cristo.

Mas o que me trouxe tais recordações foi a recente pregação de um famoso pastor, que também procurou reinterpretar esse texto. Ao invés de espiritualizá-lo, como havia feito aquele pastor anos atrás, esse famoso pregador fez o contrário: "literalizou" o texto ao extremo. Segundo ele, nós não estamos prestando atenção num pequeno detalhe, que seria a palavra "irmãos", que só aparece no versículo 40:

"O Rei, respondendo, lhes dirá: Em verdade vos afirmo que, sempre que o fizestes a um destes meu pequeninos irmãos, a mim o fizestes."

Esse conceituado pastor, que pregou essa mensagem num caro congresso, ensinou que somente aquilo que fazemos para cristãos (ou seja, irmãos) é que será recompensado por Deus. A mensagem subliminar que ele estava ensinando, ainda que ele não tenha se dado conta disso, é a seguinte: "Não se importe muito em ajudar quem não é cristão, pois Jesus não tem qualquer empatia por eles e você não receberá recompensa alguma por isso." Apesar dele não ter dito com essas palavras, a conclusão não pode ser diferente.... Afinal de contas, por que outra razão ele tocaria no detalhe da palavra "irmãos"? 

Devemos evitar a tentação de julgar o homem. Não temos esse direito e não é o que farei aqui. Ademais, tenho grande estima por este pregador e tenho sido edificado por muitas de suas mensagens. Todavia, por mais que admiremos alguém, temos o dever de examinar seus ensinamentos, conferindo qualquer doutrina com aquilo que o próprio Jesus ensinou. Sendo assim, precisamos responder a seguinte questão:

"Estaria Jesus ensinando que só devemos ajudar os irmãos da mesma fé e que não há recompensa divina para quem ajuda incrédulos?"

Não precisamos ir muito longe para encontrarmos a resposta. O próprio texto já nos dá a primeira pista. Ainda que Jesus tenha dito a palavra "irmãos" para os que são salvos, observe que essa palavra não é repetida em sua frase de condenação:

"Em verdade vos digo que, sempre que o deixastes de fazer a um destes mais pequeninos, a mim o deixastes de fazer." (Mt 25:45) Não aparece a palavra "irmãos" nesse trecho do que Jesus ensinou.

Sendo assim, se quisermos ser literalistas, levando ao extremo a presença da palavra "irmãos" no versículo 40 e sua ausência no versículo 45, a conclusão inevitável será esta: "Toda vez que fazemos o bem a qualquer cristão, foi a Jesus que fizemos (v.40). E toda vez que deixamos de fazer o bem a qualquer pessoa, seja cristã ou não, foi também a Jesus que deixamos de fazer (v.45)."

O problema é que o pregador não mencionou a ausência da palavra "irmãos" no versículo 45. Mas, mesmo que ele o tivesse feito, sua conclusão não estaria de todo correta. Em parte alguma dos evangelhos encontraremos Jesus dizendo que só haverá recompensa para o auxílio prestado somente a irmãos. Muito pelo contrário! Quando examinamos o que Jesus disse, nos deparamos com algo totalmente oposto a isso:

"Se amais os que vos amam, qual é a vossa recompensa?
Porque até os pecadores amam aos que os amam.
Se fizerdes o bem aos que vos fazem o bem, qual é a vossa recompensa?
Até os pecadores fazem isso.
E, se emprestais àqueles de quem esperais receber, qual é a vossa recompensa?
Também os pecadores emprestam aos pecadores, para receberem outro tanto.
Amai, porém, os vossos inimigos, fazei o bem e emprestai, sem esperar nenhuma paga;
será grande o vosso galardão, e sereis filhos do Altíssimo.
Pois ele é benigno até para com os ingratos e maus.
Sede misericordiosos, como também é misericordioso vosso Pai."
(Lucas 6:32-36)

Você percebe? A recompensa só está garantida quando amamos e fazemos o bem justamente àqueles que não merecem! Por isso é que ficarão surpresos aqueles que ouvirão o Rei dizer "Foi a mim que fizestes", pois eles não esperavam por isso. Eles não esperavam que o Senhor dissesse que aqueles famintos e miseráveis também eram seus irmãos. Isso nos faz lembrar da parábola do filho pródigo, quando o filho mais velho precisou ser lembrado pelo pai de que aquele pecador que retornava ainda era seu irmão. Um irmão que estava morto e reviveu, que estava perdido e foi achado. Mas, ainda assim, seu irmão. Sempre seu irmão. (Lc 15:32)

A simples verdade é que devemos ser misericordiosos com todos, e não somente com nossos irmãos de fé. Somente a prática deste amor incondicional é que nos torna verdadeiros filhos de Deus (Mt 5:44-48). Essa é a verdade. Uma verdade incômoda para os acomodados da religião, mas é a verdade. O resto... O resto é a teologia de quem fala muito, mas ama pouco.

Alan Capriles

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

QUAL O SENTIDO DA VIDA?



Por Alan Capriles

Tanto por seus ensinamentos, quanto por seu exemplo, Jesus deixou bastante claro que a vida não consiste em "ter", mas a vida consiste em "ser". Não o "ser cheio de si mesmo", mas exatamente o contrário: devemos renunciar a nós mesmos para que sejamos cheios da presença de Deus.

Sendo assim, o sentido da vida não está no acúmulo de bens, ou na conquista de fama e poder. Nenhuma destas coisas é o foco da nossa existência. O sentido da vida consiste em sermos transformados a cada dia, trocando atitudes destrutivas (tais como egoísmo, orgulho, inveja, intolerância) pela prática de valores espirituais, divinos e eternos (tais como a solidariedade, a simplicidade, o perdão, a honestidade, o amor).

A salvação da qual Jesus falava não é outra coisa senão você ser salvo de si mesmo. Quem não deixa de ser um diabo nesta vida não deveria esperar pelo céu após a morte.

Por conseguinte, quem compreende e pratica o que Cristo ensinou (independente de religião) já passou da morte para a verdadeira vida, havendo despertado para sua real filiação divina. Quem herdará o reino celestial, senão aquele que acumula virtudes, ao invés de bens materiais, que conquista a si mesmo, ao invés de fama e poder?

Portanto, quem vive pelo ser, e não pelo ter, é um bem-aventurado que já está vivendo no céu, ainda que caminhe sobre a face da terra.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Aprenda noções básicas de informática gratuitamente




As inscrições para o curso de informática básica, oferecido gratuitamente pela Igreja Batista da Cohab em Altinho PE, estão abertas.
O curso terá 2 horas aulas, ministradas aos domingos, das 9:00 às 11:00 horas, período em que as pessoas receberão noções básicas de informática, que vão desde a introdução a hardware e software, à informações básicas sobre os sistemas operacionais, e os principais aplicativos.
O início das aulas está previsto para o dia 14 de outubro (Domingo), As aulas serão ministradas na Sala do espaço de Inclusão digital da Igreja.
Outras informações podem ser adquiridas através do telefone (81)96031488 Falar com Irmão Solon ou (81)99147660 Falar com o Pastor Edmilson.

INSCRIÇÕES
Os interessados em participar do curso devem comparecer na Igreja Batista da Cohab.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Em um Brasil em trevas seja luz




ESTENDENDO A MÃO QUANDO VOCÊ PREFERIRIA NÃO FAZÊ-LO

Jonas não se importava com os ninivitas. Não queria saber que Nínive era cidade com dezenas de milhares de pessoas condenadas a ir para o inferno. Sua procrastinação e seu preconceito pessoal eram mais fortes do que qualquer paixão que pudesse ter pelos perdidos. O fato é que, para ele, o julgamento de Nínive era algo bastante apropriado.
Você já se sentiu assim em relação a alguém? Alguns de nós talvez tenhamos um prazer perverso em saber que pessoas que nos perturbam podem estar se encaminhando para o inferno. Certamente esse não é o tipo de atitude que devemos ter como cristãos. A verdade é que todos merecemos ir para o inferno. Todos nós merecemos o julgamento de Deus. Jesus não disse aos cristãos: ‘‘odeiem seus inimigos e desejem que o julgamento sobre eles chegue logo’’. Ele disse: ‘‘Vocês ouviram o que foi dito: Ame o seu próximo e odeie o seu inimigo. Mas eu lhes digo: Amem os seus inimigos e orem por aqueles que os perseguem’’. (Mt 5:43-44).
Há momentos em que nós, cristãos, nos retiramos para locais particulares de isolamento. Nós nos isolamos das pessoas que não crêem do mesmo jeito que nós. Não queremos nenhum contato com elas por causa do medo de que possamos ser contaminados. Aqui está o problema com esse tipo de atitude: como aquelas pessoas serão salvas se não tiverem contato com alguém que possa lhes falar sobre o amor de Deus? Não estou sugerindo que Deus, de alguma forma, dependente de nós. Ele pode fazer o trabalho muito bem sem nossa ajuda. Mas, ao mesmo tempo, quer nos usar como instrumentos seus.
Paulo fez uma pergunta retórica em Romanos: ‘‘Como, pois, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem não ouviram falar? E como ouvirão, se não houver quem pregue?’’ (Rm 10:14).
Jonas era filho de Deus. Era alguém que cria, ainda que de um jeito esquisito, até mesmo desobediente naquele momento. Mas ele cria mesmo assim. O que a Bíblia diz sobre a maneira de Deus lidar com seus filhos? Ela diz: ‘‘Pois o Senhor disciplina a quem ama’’ (Hb 12:6). Porque nos ama, o Senhor procurará chamar nossa atenção quando estivermos no caminho errado.
Todos nós sabemos como é isso. Quando cruzamos a linha, quando estamos prestes a fazer algo que sabemos ser errado, surge aquela pequena voz dentro de nossa cabeça, aquele senso de convicção do Espírito Santo, dizendo: ‘ ‘Não faça isso; não é certo’’.  

O Dia de Ação de Graça no Brasil




No Brasil, o presidente Gaspar Dutra instituiu o Dia Nacional de Ação de Graça, através da lei 781, de 17 de agosto de 1949, por sugestão do embaixador Joaquim Nabuco, entusiasmado com as comemorações que vira em 1909, na Catedral de São Patrício, quando embaixador em Washington. Em 1966, a lei 5110 estabeleceu que a comemoração de Ação de Graça se daria na quarta quinta-feira de novembro. Esta data é comemorada por muitas famílias de origem americana, igrejas cristãs, universidades confessionais metodistas e cursos de inglês.

Interessante notar que enquanto o Halloween (Conhecido como Festa das Bruxas) está cada vez mais popular no Brasil, o Dia de Ação de Graça não conseguiu emplacar.

Seria interessante se as igrejas cristãs estimulassem seus fiéis a celebrarem, aproveitando a data já estabelecida.

Assim como no Natal, há uma atmosfera diferente envolvendo esse feriado. Os familiares se deslocam de onde estiverem para poderem se reunir. Pais e filhos gastam mais tempo juntos. E o mais importante: relembram a misericórdia de Deus que lhes pôs pão em suas mesas durante todo o ano.

É claro que muitos enxergam esse feriado apenas como mais um estímulo às vendas no comércio, assim como o Natal. Apesar disso, continua valendo a pena relembrar dos cuidados que Deus tem dispensado aos homens.

Inspirado no primeiro Dia de Ação de Graça, em que os colonos convidaram os índios para tomarem parte na festividade, gostaria de sugerir que as igrejas convidassem os diferentes, pessoas de outros credos, principalmente os mais necessitados, para tomarem parte em seu banquete de gratidão.

E que os americanos aproveitassem a ocasião para refletir no quanto sua sociedade tem desperdiçado, e considerassem estender as mãos aos povos mais pobres do mundo, compartilhando-lhes seu pão.


O Dia de Ação de Graça nos Estados Unidos


 O Dia de Ação de Graça (Thanksgiving Day). Considerado mais importante até do que o 4 de Julho (Independence Day) e o Natal, quando o País inteiro pára para agradecer a Deus.

Os primeiros Dias de Ação de Graça eram festivais de gratidão a Deus pelas boas colheitas anuais. Por esta razão, o Dia de Ação de Graça é festejado no outono, após a colheita ter sido recolhida.

O primeiro deles foi celebrado em 1621 em Plymouth, Massachusetts, pelos colonos cristãos, fundadores da vila. Após péssimas colheitas e um inverno rigoroso, os colonos tiveram uma boa colheita de milho no verão de 1621. Por ordem do governador, uma festividade foi marcada no início do outono de 1621 em comemoração ao sucesso da última colheita, em comparação às anteriores. Os homens de Plymouth mataram patos e perus. Outras comidas que fizeram parte do cardápio foram peixes e milho. Cerca de 90 índios atenderam ao convite dos colonos e participaram da festividade. Todos comiam ao ar livre, em grandes mesas.

Porém, por muitos anos, o Dia de Ação de Graça não foi instituído como feriado nacional, sendo observado como tal em apenas certos Estados americanos como Nova York, Massachusetts e Virgínia. Em 1863, o então presidente dos Estados Unidos, Abraham Lincoln, declarou que a quarta e quinta-feira da terceira semana do mês de novembro seria o dia nacional de Ação de Graça.

Mas em 1939, o presidente Franklin Delano Roosevelt instituiu que esse dia seria celebrado na terceira semana de novembro, com o intuito de ajudar o comércio, aumentando o tempo disponível para propagandas e compras antes do Natal (À época, era considerado inapropriado fazer propagandas de produtos à venda antes do Dia de Ação de Graça). Como a declaração de Roosevelt não era mandatória, 23 Estados adotaram a medida instituída por Roosevelt, e 22 não o fizeram, com o restante tomando ambas a quinta-feira da terceira e da quarta semana de novembro como Dia de Ação de Graça. O Congresso americano, para resolver este impasse, instituiu então que o Dia de Ação de Graça seria comemorado definitivamente na quinta-feira da quarta semana de novembro, e que seria um feriado nacional.

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sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Louva Caruaru 2012




Confirmado dia 22 de Setembro sera Realizado o Segundo Louva Caruaru com a Participação de Fernandinho, Alan Alves e Quatro por Um. O Show Será Realizado no Palladium a partir das 20:00 Horas.

MUDANÇA DE RUMO



Por Alan Capriles

Alguém que se dedique na busca pela verdade certamente chegará a algumas conclusões. Não é possível que anos de leitura, reflexão, pesquisa e investigações não nos levem a lugar algum.

Pois bem, digamos que você seja tal pessoa. Suponhamos que você tenha dedicado toda sua vida, desde o início da adolescência, a buscar a verdade. E imaginemos que agora, depois de tanta informação adquirida, você comece a identificar onde estão as ilusões e falhas, e esteja finalmente conseguindo as respostas que tanto buscava, como se fosse o juntar das peças de um complicado quebra-cabeça. Não seria maravilhoso? Seria, se não fôssemos confrontados com a seguinte questão:

O que fazer quando nossos velhos conceitos estão em rota de colisão com a verdade?

Essa é a pergunta que me tem afligido, a ponto de me tirar o sono. Minha procura pela verdade, que se arrasta por anos e anos de inquirições, finalmente está me conduzindo a encontrar as respostas que eu tanto buscava. O problema é que tais respostas, que são claras e irrefutáveis, não se coadunam com minhas velhas e tão seguras convicções.

O que fazer? Acovardar-me, ou mudar e sofrer as trágicas consequências da incompreensão?

Penso que a direção me chegou por meio de uma pequena e verídica história, que compartilho a seguir:
Durante vários dias, dois navios de guerra entregues ao esquadrão de treinamento estavam realizando manobras sob condições climáticas desfavoráveis. Eu me encontrava prestando serviços no navio de guerra principal, e estava na vigilância na ponte de comando quando caiu a noite. A visibilidade era pouca com a neblina, de modo que o capitão se mantinha na ponte de comando observando todas as atividades.
Pouco depois de ter escurecido, o sentinela que se encontrava na asa da ponte de comando informou:
— Observa-se uma luz a estibordo.
— Está fixa, ou move-se para a popa? — gritou o capitão.
A sentinela respondeu:
— Fixa, capitão.
Nesse caso, estávamos rumo a uma perigosa colisão contra aquele barco. Então o capitão chamou o encarregado da comunicação por sinais e lhe disse:
— Comunique àquele barco: “Encontramo-nos rumo a uma colisão. Aconselhamos-lhes que mudem seu rumo 20 graus”.
Então recebemos sinais que diziam: “Seria melhor vocês mudarem seu rumo 20 graus”.
O capitão disse:
— Envie-lhe o seguinte: “Eu sou capitão! mude seu rumo 20 graus”.
“Eu sou um marinheiro de segunda classe”, foi a resposta. “É melhor que você mude seu rumo 20 graus”.
A estas alturas, o capitão estava furioso.
— Envie-lhe o seguinte: “Eu sou um navio de guerra. Mude seu rumo 20 graus”.
E então recebemos a breve e clara mensagem: “E eu sou um farol em terra firme”.
Nós mudamos o rumo. (*)
Essa pequena história me fez compreender que não preciso de coragem para mudar. Coragem não me falta. Preciso é de humildade! Humildade para reconhecer que minhas velhas convicções podem estar erradas, mesmo que tenham sido consolidadas por séculos de tradição, ou perpetuadas por dogmas que agora se revelam equivocados, quando expostos pela luz da verdade. Os homens são falhos, tanto agora, quanto há milhares de anos atrás. Somente a verdade é e sempre será imutável. Quando somos confrontados com ela, nós é que precisamos mudar.

Mas e quanto às trágicas consequências de uma mudança de rumo? Nossa mudança poderá nos custar a rejeição da família, a incompreensão dos amigos, a exclusão de círculos sociais...

Não ignoro nada disso. Sei que existe um alto preço a se pagar pela verdade. Mas estou convencido de que todas as consequências serão ínfimas se nos lembrarmos de que não há desgraça maior que a traição da própria consciência. Essa sim é a pior das tragédias, o suicídio da alma.

Alan Capriles
__________________

* História verídica, relatada por Frank Koch, em Proceedings (a revista do Instituto Naval dos Estados Unidos) e encontrada no e-book "O Reino que Alvoroçou o Mundo".

sexta-feira, 27 de julho de 2012

O DOM DE LÍNGUAS





INTRODUÇÃO


Muito se ouve falar sobre o dom de línguas dentro das igrejas. Muitas pessoas têm dúvidas sobre o tema, mas o que a Bíblia fala sobre isso? Primeiramente, necessitamos entender de onde surgiu o dom de línguas.

Em Gênesis 11:1-9, podemos observar que toda a Terra apresentava apenas uma fala e todos proferiam um mesmo idioma. No episódio da Torre de Babel, Deus trocou as línguas, surgindo assim muitos idiomas.

Quando falamos sobre dom de línguas, o que vemos, hoje, são pessoas gritando sem saber o que estão falando. Dizem estar recebendo do Espírito Santo à língua dos anjos. Em I Cor. 1:10, encontramos a maneira que a igreja deve estar para receber o Espírito Santo, todos devem estar falando a mesma coisa sem dissensões, sendo que a função do Espírito Santo é de testificar sobre Jesus (João 15:26).
Quando uma pessoa fala em língua estranha que ninguém entende, com quem ela está falando? Concordamos que se essa fosse à língua dos anjos, os anjos a entenderiam, mas em I Cor. 14:9, podemos observar que a pessoa que transmite as palavras que não são inteligíveis é como se estivessem falando para o ar, ou seja, para ninguém. Em lugar algum encontramos base bíblica para dizer que essas “línguas estranhas” são línguas de anjos.
A Bíblia dá uma orientação para as pessoas que dizem estar falando em outra língua, elas precisam orar e serem capazes de interpretar o que estão falando (I Cor. 14:13). O apóstolo Paulo falou algo interessante para a igreja de Corinto. Ele preferia falar cinco palavras que servissem de instrução e orientação para a igreja do que 10 mil palavras em língua desconhecida (I Cor. 14:17-19). O dom de línguas é um sinal para quem afinal? Em I cor 14:22,23 diz que é um sinal para os infiéis. A impressão que se tem de determinadas pessoas e denominações é de bagunça e desordem, como se estivessem loucos v. 23. Paulo ainda diz em I Cor. 14:27 e 28, que se deve haver um intérprete daquele que está falando em uma língua desconhecida e que se não houver é melhor que fique calado na igreja. Não podemos pegar o momento do pentecostes narrado no livro de Atos 2 e dizer que os
discípulos estavam falando em línguas estranhas por 2 motivos:

1- Atos 2:5 diz que ali estavam muitas pessoas de várias nacionalidades e no v.6 diz que cada pessoa ouvia os discípulos falarem em sua própria língua materna. Eles estavam entendendo o que os discípulos estavam falando e aceitaram o batismo porque entenderam!

2- No v. 14 diz que Pedro se levantou com os onze e ele começou a falar. Se ele estivesse falando em língua desconhecida sem interpretação, os demais não precisariam ter se levantado, mas se levantaram porque receberam o dom de línguas bíblico que é falar em outros idiomas. Então Pedro falava em um idioma e cada discípulo traduzia em um outro idioma a mesma coisa que Pedro estava falando. Deus é um Deus de ordem, um Deus inteligente que criou todas as coisas na mais bela harmonia. Ele não precisaria falar com você em uma língua desconhecida, porque Ele sabe que você não entenderia. Ele também não precisa que você fale uma mensagem Dele para alguém em uma linguagem desconhecida. Muitos líderes religiosos têm ensinado as pessoas de forma errônea e contrárias aos ensinamentos bíblicos. O interesse pelo dom de línguas tem tido um crescimento fenomenal nos últimos anos. Atualmente multidões reivindicam possuir este dom. Como sempre, os filhos de Deus "provam todas as coisas" 
(I Tessalonicenses 5:21) por um estudo cuidadoso da Palavra de Deus.
I. O REGISTRO DE LÍNGUAS NA BÍBLIA.
O dom de línguas é mencionado apenas em três livros do Novo Testamento (Marcos 16:17-20, Atos 2:1-13; 10:45-46; 19:6, I Coríntios 12:1 a 14:40). É informativo notarmos que poucos livros das Escrituras mencionam línguas. Entre vinte e uma epístolas do Novo Testamento, nas quais salvação, gozo Cristão, crescimento espiritual, qualificações ministeriais e o trabalho do Espírito de Deus são mencionados, contudo em uma única são mencionadas as línguas. É inexplicável o dom de línguas como é visto no movimento moderno de línguas. (Deveria ser notado que na ocasião em que foram mencionadas as línguas em uma epistola tratava-se de repreensão devido a elevação e o abuso sobre este dom.)
II. A NATUREZA DAS LÍNGUAS.
O dom de línguas era a habilidade sobrenatural de falar em um idioma que não se havia adquirido através de estudo. Não há nenhuma razão Bíblica para acreditar que este idioma era qualquer outra coisa além de um idioma humano existente. Em Atos 2:1-11, os discípulos falaram em idiomas nativos dos muitos judeus estrangeiros presentes em Jerusalém no Pentecostes. Em I Coríntios 14:16 e 23, os Coríntios são advertidos que os indoutos não podiam entender as línguas. Essas declarações seriam sem sentido se as línguas não fossem idiomas humanos já conhecidos por alguns. Em I Coríntios 14:21, Paulo cita uma profecia do Velho Testamento relativa ao propósito das línguas. Esta profecia trata-se do idioma humano que revela novamente a natureza da língua em Corinto.
O conceito moderno de línguas como um idioma divino, ou como fala extática tem uma dupla origem:
A. Quase toda forma de paganismo de tempos primitivos até o presente foi caracterizada como alguma forma de fala extática. Até mesmo em muitas das seitas que negaram os ensinamentos básicos do Cristianismo houve reivindicações para que tivessem o dom de falar em uma língua divina (os Mórmons, Shakers). É desnecessário dizer que os cristãos sempre viram estas atividades como demoníacas (Isaías 8:19).
B. O conceito de línguas Bíblicas como uma forma de fala extática foi introduzido em teologia Cristã pelos teólogos alemães racionalistas. Eles popularizaram a crença de que as línguas Bíblicas não eram idiomas humanos para eliminar a natureza milagrosa do dom.

III. O PROPÓSITO DAS LÍNGUAS.
Nosso Senhor deixa muito claro que as línguas eram um sinal (Marcos 16:17). Quando a igreja de Corinto começou a usar línguas como meio de auto-glorificação, foi-lhes falado que precisavam amadurecer e aprender que as línguas deveriam ser usadas como um sinal (I Coríntios 14:20-22). Deixe-nos examinar este ponto importante com detalhes.
Em I Coríntios 14:21, Paulo cita Isaías 28:11 como prova de que as línguas eram um dom de sinal. Em Isaías capítulo 28, achamos Isaías reprovando os anciões de Judá pelos pecados que eles haviam cometido. Eles não se arrependeram, mas zombaram da pregação de Isaías como se ela fosse inferior ao nível intelectual que eles possuíam (vs. 9-10). Sendo assim Isaías deu a profecia em que Deus falou a eles pelas línguas estrangeiras do exército assírio que estava invadindo. Com isto, Paulo conclui que as línguas são um sinal.
Nós também poderíamos mencionar que as línguas não eram um sinal a todos os incrédulos, mas para incrédulos judeus em particular. Isto é visto em Isaías capítulo 28, e também no Novo Testamento. Em todos os casos registrados no livro de Atos o dom de línguas era um sinal aos judeus. É interessante também lembrar-nos que a igreja em Corinto começou ao lado de uma porta de uma Sinagoga judia (Atos 18:7). Talvez isto explique em parte o destaque do dom naquela igreja.
Continuando nosso exame sobre o propósito das línguas deveríamos notar que as línguas agiram como um sinal de confirmação para pelo menos três verdades bíblicas diferentes.
A. A veracidade do evangelho.
As línguas eram dadas como uma confirmação da verdade do evangelho (Marcos 16:17-20, Hebreus 2:3-4). Vemos isto ilustrado em Atos 2:1-41.
B. A recepção dos Gentios no reino de Deus.
Em Atos 10:44-48, as línguas agiram como um sinal para confirmar a ocasião em que Deus havia concedido o arrependimento ao Gentios. Isto foi recebido até mesmo como prova pela igreja de Jerusalém (Atos 11:1-18).
Algumas pessoas podem questionar como as línguas poderiam ser um sinal aos crentes judeus levando em conta I Coríntios 14:22. A resposta é que embora aqueles judeus tenham crido em Cristo contudo as línguas agiram como um sinal de outra área na qual eles eram culpados de incredulidade (a Possibilidade da conversão dos Gentios).
C. O julgamento vindouro.
Em Isaías 28:11, as línguas eram um sinal de julgamento. Muitos crêem que as línguas foram uma advertência para Israel sobre a invasão Romana em 70 d.C. que levou a término a existência de Israel como nação durante quase mil e novecentos anos.
Tendo notado o verdadeiro propósito das línguas nós estamos agora em uma posição melhor para lidarmos com alguns dos erros cometidos referentes a este assunto. Nós poderíamos mencionar primeiramente que alguns ensinaram que as línguas foram dadas para auxiliar a pregação do evangelho. Não há nenhuma evidência para esta idéia no Novo Testamento. As línguas como um sinal vindicaram o evangelho, mas nunca foram usadas para auxiliar à pregar isso. Homens como Paulo, poliglotas, parecem não ter tido nenhuma dificuldade de comunicação no Império Romano. Até mesmo em Atos 2:1-41 não há nenhuma evidência de que o dom de línguas agiu diferentemente de um sinal. Veja em Atos 2:6-12, os judeus estrangeiros ficavam pasmos com o dom de línguas. Essas pessoas eram pelo menos bilingües. As línguas não eram dadas de forma que eles pudessem entender o evangelho mas, contrariamente, para que eles pudessem acreditar nele. Muitos daqueles foram convertidos e ficaram na igreja de Jerusalém, contudo a comunicação nunca foi um problema.
Outro conceito falso é o ensino moderno e popular de que as línguas são para a edificação íntima do usuário. Isso, é claro, contradiz o ensino Bíblico sobre o propósito de línguas e também a verdade que dons são sempre para o corpo de Cristo como um todo. É duro acreditar que Deus reteria de muitos (I Coríntios 12:11 e 30) meios de crescimento espiritual. Não há registro de uso particular de línguas no Novo Testamento.
Deixe-nos examinar alguns dos versículos usados para ensinar que as línguas devem ser usadas em oração e adoração privada.
I Coríntios 14:2 - Este versículo não está descrevendo oração. A razão pela qual a língua falada pelo homem e não interpretada, e que "ninguém entende", é tida como evidência de que ele está falando com Deus. Paulo não está discutindo a oração particular mas o erro de se utilizar línguas não interpretadas no culto da igreja. Se eu usasse Espanhol em uma igreja que fala Inglês somente Deus me entenderia e a igreja não seria ajudada.
I Coríntios 14:3-5 - Paulo está falando sobre a superioridade da profecia sobre as línguas em um culto público da igreja. Aquele que profetiza edifica a igreja enquanto que aquele que fala em línguas edifica a si mesmo. Não há aqui nenhum ato íntimo de devoção.
Se um inglês testemunhar em uma igreja russa o seu coração pode ser abençoado mas a igreja não fará proveito disso. Este mesmo princípio era usado no exercício das línguas. Note também que nos versos 4-5 Paulo está discutindo uma situação em que o locutor da língua poderia interpretar suas próprias palavras. O indivíduo que fala em uma língua a qual nem mesmo ele compreende não pode ser abençoado a não ser que alguém interprete-a.
I Coríntios 14:14-15 - Paulo está falando aqui sobre oração em uma língua desconhecida, mas apenas para reprovar a prática. A oração deve ser administrada com entendimento (vs. 15). Isso proibiria a idéia de orar em uma língua em que não se entende. A palavra battalogeo traduzida como "vãs repetições" em Mateus 6:7, são meios para "balbuciar sem pensar". A pessoa nunca deve orar desta maneira.
I Coríntios 14:27-28 - Paulo não está recomendando aqui a prática de falar em língua intimamente. O seu propósito é proibir o uso de línguas sem interpretação na igreja. Estes preceitos eram usados por homens de Deus em dias anteriores para reprovar a prática Católica Romana de administrar adoração religiosa em latim. Os homens podem orar em qualquer idioma que eles entendem em secreto. Eles não devem orar em um idioma que eles não entendem nenhum lugar. Em público eles devem falar em um idioma inteligível pela igreja ou então as suas palavras devem ser interpretadas.
O conceito pentecostal das línguas como sendo uma ajuda à devoção particular é contrário a tudo o que a Bíblia ensina sobre línguas.
IV. A REGULAMENTAÇÃO DAS LÍNGUAS.
As desordens acontecidas em Corinto fizeram que Paulo estabelecesse algumas regras. Esses regulamentos devem ser seguidos por todos os que pensam ser espirituais (I Coríntios 14:37-38).
A. Tudo deve ser feito de maneira ordenada - I Coríntios 14:32-33; 40.
B. As línguas não devem ser buscadas - I Coríntios 12:18.
A igreja, como um todo, deve desejar que os melhores dons (aqueles que edificam) possam ser encontrados entre os membros (I Coríntios 12:31). As línguas foram um dos menores dons (I Coríntios 14:5).
C. As línguas devem ser interpretadas - I Coríntios 14:28.
D. Só uma pessoa pode falar a cada vez - I Coríntios 14:27 e 30.
E. Em qualquer culto somente três pessoas podem falar em línguas - I Coríntios 14:27.
F. As mulheres não podem falar na igreja - I Coríntios 14:34-35.
G. Não devem ser proibidas as línguas - l Coríntios 14:39.
Paulo teve receio que o seu ensino sobre a inferioridade das línguas como um dos meios de edificação da igreja fizesse que elas fossem proibidas. (Este versículo obviamente não seria atual se as línguas houvessem cessado. As Igrejas Batista têm todo o direito de proibir a imitação moderna deste dom).
V. A CESSAÇÃO DAS LÍNGUAS.
Em I Coríntios 13:8, fomos instruídos que as línguas cessariam. Isto provavelmente aconteceu em 70 d.C., quando Israel como uma nação perdeu sua existência incorporada. O dom definitivamente cessou entre 95-96 d.C., quando as Escrituras foram completadas. (Para maiores informações veja a lição dos dons temporários).
VI. AS LÍNGUAS HOJE
Alguns podem estar perguntando-se como nós explicaremos o fenômeno moderno de falar em línguas encontrado no movimento Pentecostal. Por estas "línguas modernas" contradizerem a Bíblia no ensino relativo à sua natureza, propósito, duração, e regulamento elas não podem ser de Deus. Deus não contradiz a sua Palavra (I Coríntios 14:37, Mateus 5:17-18). A experiência moderna de línguas pode ter várias explicações.
A. Podem ser falsas.
B. Podem ser psicologicamente induzidas.
Ao contrário do Novo Testamento os defensores das línguas modernas ensinam as pessoas como falar em línguas. Muito disso parece ser uma forma de auto-hipnose, na qual o cérebro entra em curto circuito e começa a falar sem parar.
C. Podem ser de inspiração demoníaca.
Muitos são os acontecimentos em demônios falam através dos possuídos. Os cristãos sempre viram a fala extática dos pagãos como tendo procedência demoníaca. Quando a pessoa considera algumas das doutrinas e dos frutos do mal que saiu do Pentecostalismo fica óbvio que demônios realmente estão ativos. (Isaías 8:19).

Autor: Pr Ron Crisp
Tradução: Albano Dalla Pria
Revisão e Editoração: Calvin Gardner
Fonte: www.palavraprudente.com.br